Quinta-feira, 18 Agosto 2016
Os empreendedores e a cultura gerencial
Com frequência observamos posturas culturais de empreendedores. Ocorre que essa observação nos permite comentá-las nos seguintes sentidos: uma delas é quando novos empreendedores iniciam suas atividades empresariais e quando há dificuldade de uma cultura organizacional adequada às práticas de gestão na evolução da empresa.
 
Naturalmente, não é possível generalizar, mas em um bom número de casos o novo empreendedor lança-se ao novo projeto com muito pouco ou quase sem nenhum planejamento do negócio. Inicia as atividades e vai se posicionando de acordo com o acontecimento dos fatos.
 
Nesses casos, é possível observar pouco uso, ou quase nenhum estudo das necessidades financeiras do negócio, estudo de aspectos de mercado, da concorrência, ou mesmo da localização do novo empreendimento.
 
É natural que quando uma empresa inicia sua vida com características dessa natureza a chance de enfrentar dificuldades é significativa. Atualmente, no Brasil, assistimos um movimento significativo de inicio de novos empreendimentos, até por conta do forte movimento de desemprego. Diante disso, o mau momento da economia brasileira fez do empreendedorismo a opção para muitos profissionais desempregados.
 
Mesmo contando com poupança e até com valores resultantes das rescisões de contrato de trabalho pecam pelas deficiências que comentamos anteriormente.
 
A taxa de empreendedorismo no país, medida pela pesquisa internacional Global Entrepreneurship Monitor, foi de 34,5% em 2014 para 39,3% no ano passado. O relatório estimou que haviam 52 milhões de brasileiros envolvidos com uma atividade empreendedora no ano passado.
 
Outro dado que foi fortemente impactado foi a taxa de empreendedorismo por necessidade (aquele que não é baseado na descoberta de uma oportunidade, e sim por ser a alternativa que a pessoa tem para ter renda no momento), que cresceu principalmente na categoria dos empreendedores nascentes (com até 3 meses de negócio no momento da realização da pesquisa). Nesse grupo, ela foi de 13% para 36%.
 
A pesquisa é feita no Brasil pelo Instituto Brasileiro da Qualidade e Produtividade (IBQP) e conta com apoio do Sebrae.
 
Ora uma situação como essa que foi comentada acima bem mostra a probabilidade de pouco uso de planejamento para apoiar o inicio dos novos negócios.
 
Nesse contexto, o que se observa é uma dificuldade de adequação da postura do empreendedor no sentido de retomar práticas de gestão que irão proporcionar maior segurança na evolução da empresa.
 
Já no convívio com pequenas e médias empresas que operam há algum tempo, também é perceptível a dificuldade de uma cultura organizacional adequada às práticas de gestão.
 
Isso dificulta o processo de decisão ou até mesmo, no fato da empresa ter que se mostrar no mercado, tanto para fornecedores como para bancos ou mesmo investidores.
 
Um exemplo bem marcante dessa situação é empresas que buscam a oportunidade de identificar investidores ou até mesmo de se oferecerem à venda e não dispõe de informações gerenciais suficientes para mostrarem seu potencial e desempenho. Assim, observamos que fica tudo em um ambiente muito superficial. E quando se recomenda o uso de determinadas práticas, são poucos os casos que admitem que devem melhorar ou mesmo mudarem o atual estilo gerencial da empresa.
 
Assim, a dificuldade ou resistência de um estilo mais profissional ao tocar os negócios não é somente dos novos empreendedores. Observa-se, também, dificuldades quanto à cultura gerencial em alguns empreendedores que já vem tocando há um tempo seus negócios.
 
Lamentável é que os empreendedores só vão perceber essa deficiência quando estão em situação de exigência instantânea em decorrência de uma oportunidade de negócio que está se apresentando.
 
Texto: Econ. José Luiz Amaral Machado
Diretor da Gerencial Auditoria e Consultoria S/S – Porto Alegre (RS)