por Antonio Luiz de Queiroz Silva, Presidente do Conselho Regional de Economia de São Paulo
Postado em 04 de Março de 2009
O Brasil inteiro está consciente de que a crise econômica internacional está fazendo muitas “vítimas” no mundo todo, principalmente nos países desenvolvidos — e não apresenta sinais de que vá terminar tão cedo. Originado de um descalabro financeiro, a crise ganhou contornos e foi crescendo e deverá atingir o Brasil se nós não nos armarmos contra o mesmo veneno que causou esta crise, ou seja, a falta de crédito, que é, em sua base, assunto eminentemente financeiro. Assistimos dia-a-dia a este incômodo chamado falta de crédito, que já começa a fazer “vítimas” no Brasil e, se estender-se por mais tempo, não dará tempo para evitar a contaminação na economia real, iniciando-se pelo desemprego, passando pela redução dos investimentos, do consumo e da produção. Será o caos se nós não tivermos a inteligência e ousadia suficiente para mitigar os efeitos da crise internacional para o nosso País. Temos bons fundamentos econômicos, boa estrutura financeira, um extenso mercado de 200 milhões de consumidores e dinheiro para gastar. Vamos nos espelhar nas práticas da década de 70, quando o BNDES e outros bancos, assim com o Governo, criaram programas de desenvolvimento com investimentos ágeis, tanto em desoneração de impostos, como em irrigação de dinheiro, principalmente as médias e pequenas empresas, apoiando não só os investimentos fixos mas principalmente o capital de giro. Hoje, vemos que o problema são as garantias, pois não interessa aos bancos, em caso de inadimplência tomar um imóvel dos sócios e preferindo os recebíveis, que por redução das atividades, não alcançam os percentuais exigidos. Além disso, há que se considerar a elevada taxa de juros com seus excepcionais “spreads”. Tudo isto pode ser contornado se o Governo criar mecanismos que permitam ao tomador do empréstimo oferecer como garantia, títulos ou precatórios dos governos federal, estaduais e municipais. Além de garantidos, podem derrubar as taxas de juros dependendo do percentual de deságio negociado. Sem dúvida, esta é uma solução, inclusive para o Governo que iria quitando sua dívida estimada em R$ 70 bilhões.