por Martha E. Ferreira, Economista e Consultora - Membro do CORECON/ES
Postado em 13 de Fevereiro de 2009
As exportações brasileiras de rochas ornamentais, em 2008, somaram US$ 954,5 milhões, sendo US$ 138,5 milhões a menos que em 2007, conforme balanço elaborado pelo geólogo Cid Chiodi. Desse total, as rochas processadas representaram US$ 774,6 milhões ou 81,2% do total exportado, com variação negativa de 13,6%, em relação ao ano anterior. Não houve mudança no consumo do mercado interno, que repetiu sua performance de 2007, ou seja, algo em torno de 60 milhões de m². O Espírito Santo continua liderando as exportações desse setor (com 85,6% de chapas polidas), respondendo por 66% do faturamento e 56,5% do volume físico total brasileiro. As exportações capixabas de rochas ornamentais, em 2008, atingiram US$ 630,3 milhões, com um recuo de 13,2%, em relação ao ano passado. É seguido, à distância, pelos estados de Minas Gerais (US$ 204,9), Rio de Janeiro (US$ 22,0), Santa Catarina (US$ 17,1), São Paulo (US$ 16,4) e Bahia (US$ 16,1). Os Estados Unidos continuam sendo o principal país importador de rochas brasileiras. Em 2008, foram comercializados US$ 506,2 milhões contra US$ 636,1 em 2007. A China ocupa o 2° lugar, com US$ 77,1 (US$ 70,8 em 2007) e em 3° a Itália, com US$ 71,9 (US$ 84,9 em 2007). O Porto de Vitória é líder em exportações de rochas ornamentais. Do total de 1,99 milhão de toneladas exportadas pelo Brasil, ele embarcou 1,3 milhão de toneladas, no ano passado. Verifica-se, contudo, que os portos do Rio de Janeiro (Rio de Janeiro e Sepetiba) estão incrementando sua participação, juntamente com Pernambuco (Recife e Suape), São Paulo (Santos) e Bahia (Salvador). No mercado internacional, a maioria dos países tem tomado providências radicais no combate ao fraco desempenho de suas economias, reduzindo gastos e aumentando os investimentos, especialmente em infra-estrutura. No Brasil, não temos observado nenhum movimento eficaz para minimizar as quedas nas atividades industriais, comerciais e de serviços, que começaram a despencar em 2008 e continuam em declínio, esse ano, com fortes impactos nos níveis de emprego. Nos próximos anos, haverá concorrência ainda mais acirrada, por parte da China; a volta da dinâmica à economia americana, vai demorar algum tempo; a indústria de pisos e revestimentos cerâmicos, está sofrendo com a crise e não vai baixar a guarda; e o protecionismo e barreiras tarifárias vão ser reeditados em alguns países, mesmo contra protestos. Os Governos federal, estaduais e municipais continuam com a sua farra de gastos inúteis, como se tudo estivesse às mil maravilhas. Não temos notícia de nenhum plano para viabilizar infra-estrutura, logística e redução de impostos, que dêem fôlego ao setor de rochas ornamentais e à sua cadeia de suprimentos. Quanto aos empresários, o que se nota é uma apatia cada vez maior, aceitação passiva e esperança inercial por dias melhores, sem cobranças incisivas ou apresentação de propostas exeqüíveis. O setor de rochas precisa pressionar suas governanças por atitudes mais objetivas em seu favor e buscar soluções próprias para suportar os tempos de demanda em baixa, tais como: investimentos em renovação do parque industrial, novas tecnologias, mercados alternativos, qualificação de mão-de-obra, agregação de valor aos produtos, preparando-se para sair na frente, assim que a tempestade passar. O Brasil precisa implementar, imediatamente, as mudanças que o mercado exige, sob pena de amargar uma derrota fenomenal, com grave risco de desmoronar, sobrando apenas pedra sobre pedra.